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02 novembro 2007

Feliz Aniversario atrasado

Feliz aniversario atrasado, para mim.
Que ontem fiz 1 mes de japao, e fiz 2 anos e 1 mes de BH.
Dia 2 de outubro de 2005 estava eu chegando em Belo Horizonte, capital mineira, com nenhuma bagagem nas costas, apenas algumas esperancas e a certeza que ali estava comecando a maior aventura da minha vida.
2 anos depois eu estava desembarcando no aeroporto internacional de Okinawa, para a maior aventura da minha vida de novo e o que era novo, tornou-se habito e os nao-planos tornaram-se tortos a ponto de tudo estar totalmente alinhado em uma direcao.
BH hoje vejo como uma cidade minha, como se eu tivesse nascido ali e apenas me ausentei de sua sutileza por alguns 20 e poucos anos, pois mesmo sem conhecer suas entranhas, ja conheco o seu rosto.
A Belem das velhas mangueiras, tornou-se uma amiga distante, que quando a vejo faco festa, mas nao me da prazer te-la ao meu lado todos os dias, pois seus vicios ficaram feios para mim. Como os dentes escuros de um fumante.
Ja nao me da prazer te-la na minha cama todos os dias.
De vez em quando eh divertido.
Belo Horizonte eh a loira nova e cheirosa, com sotaque diferente, que tem la as suas manias chatas, mas que ainda me encanta, com o seu perfume, o seu gosto e o seu rosto.

Mas ja nao eh aventura. Eh amor mesmo.

Nela a dois anos, fiz um caminho louco para chegar aos ceus: Primeiro estive em um purgatorio, limbo opaco e difuso, tentando por a mente em sintonia comigo mesmo. Depois desci ao inferno, em uma queda unica e aspera, que faz um barulho seco quando encontra o poco sem agua, e ensaguentado, deformado, louco, transtornado, tive a minha redencao. Acho que por isso amo tanto essa cidade. Apesar das fugas para a minha antiga amante nortista, quem sempre me acalentou de volta foi a mineira.

Agora em ventos japoneses eu penso qual sera o meu proximo destino.

Tenho certeza que estou vivendo a maior aventura da minha vida hoje, assim como vivi quando fui morar em Londres, e depois quando fui pro exercito, e depois quando fui para Utah, assim como foi sair de casa para uma cidade que eu conhecia apenas uma pessoa.

Essa sera a minha maior aventura, ate a proxima, no final de abril.

20 abril 2007

De galho em galho, um pouco fica

"De tudo fica um pouco".

Todo dia estamos trocando de células. Descartando pele morta. DNA. Logo, onde quer que passamos, fica um pouco de nós. Basta que procurem com calma - Sempre fica um pouco: Na cadeira do trabalho, no teclado do PC, no banco do ônibus, na lata de coca-cola amassada, na mão recentemente conhecida e introduzida. Tudo, tudo fica um pouco.
Um pouquinho de nós vai ficando em tudo.
Nas pessoas que amamos - Um pouco de nós sempre ficará. Aos poucos, um pouco sempre fica sim. Uma frase, uma opinião, uma lição.

No último apartamento que morei, um rapaz, que morou lá logo depois de mim, suicidou-se. Eu fico pensando, o que dele ficou? Eu sei que de mim ficaram várias coisas naquele apartamento. Ficou um cabide de porta no quarto que eu dormir nas primeiras noites, e que logo depois virou o quarto de hóspedes. Ficou também alguns obejtos consertados que a minha mão santa quebrou ao longo do ano que lá morei. Ficaram algumas manchas nas paredes, e no quintal (sim, o apartamento tinha um "quintalzinho"), no canteiro de terra ficaram enterradas algumas bitucas de cigarro e sementes mortas. Tenho certeza que lá ainda tem dentro dos ralos alguns fios de cabelo. Pois sempre sobra algo.

Fico pensando o que ainda tem de mim na primeira casa que morei. Será que ela, a casa, ainda lembra de mim? Será que se eu voltar lá, ela ainda vai lembrar daquele moleque magrelo? Será que ainda tem algo lá, depois de tantos anos? Quase duas décadas.
E no apartamento que fez parte da minha adolescência, ali na quatorze de março, no bairro do Umarizal. Será que ainda tem restos das festas em casa? Das namoradas? Dos amigos, inclusive daqueles que já se foram? Ainda resta um pouco lá? Será que se eu voltar lá talvez consiga resgatar esses anos passados? Consiga um pouco de inocência e malícia? Um pouco de preguiça de ir para a aula na federal? Será que se dormir lá eu consigo acordar as cinco e meia da manhã e ir para o quartel?

A única certeza que eu tenho é que dentro de ti, um muito de mim ficou, pois sempre fizestes questão de me mostrar isso, que ficou, e agora que estás, iremos fazer ficar muito mais, pois cada prego, cada estante, cada parafuso pregado é nosso. Então não sei do que ficou para trás, nos outros, em outros lugares - apenas sei que ficou, pois sempre fica algo.

Apenas sei o que ficará a partir de agora que caminhamos juntos lado a lado na mesma direção.

04 março 2007

Começou

00:00:00

Foi zerado o cronometro.
Começando agora.

14 fevereiro 2007

Mil Acasos

Ontem morte e destino se encontraram, dois irmãos, um que vemos somente no fim e outro que nos acompanha durante toda a vida.

O destino foi bem mais generoso no meu dia de ontem. Ele se encarregou de me sentar ao lado de uma pessoa fantástica, uma senhora, artísta plástica, figuraça.
Engraçado como ele age.
Eu estava em um engarrafamento na rua Bahia, à alguns quarteirões do Café com Letras. Pensei: "Eu vou tomar um chopp". Quando me vi, estava batendo papo com essa artísta. Com a sua filha que faz teatro e bradava aos quatro ventos: "Eu nunca serei fiel na minha vida!".
Logo depois de muito papo, chega o marido da senhora, de terno, gravata e uma pasta executiva nas mãos - Secretário de Planejamento e Desenvolvimento do Estado de Minas (Acho que é isso).
Muito engraçado toda a cena.
Ela falava que estavamos num trem, indo por vários lugares e então, porque não batermos papo durante a viagem?
Ele falou que o "casamento é administração de conflitos", mas que vale a pena.
Ela me convidou para fazer uma visita, e conhecer sua próxima exposição de arte.
Ele contou que na época que ficaram noivos, era obrigatório a presença de uma das seis irmãs dela em qualquer encontro.
Ela viu uma carta de tarô para mim. Deu estrela. Não faço a mínima ideia do que significa.
Ele contou piada de putaria.
Duas figuras antagônicas.

Lá pelas tantas, toca o celular. Era a morte rondando. O síndico do apartamento que eu morava, estava me dando a notícia que um colega de trabalho que morava lá, havia se suicidado.

Havia tanta vida naquela senhora, desconhecida, que estava ao meu lado.

Havia tão pouca vida, naquele moço da minha idade que jazia no banheiro frio de um apartamento comum.

É a vida. Que tenha paz.